O silêncio entre nós
denunciava a enorme tristeza que estávamos sentindo, mas o pior estava por vir,
era algo que nos marcaria por nossa vida inteira, descobri porque ela queria
que eu não fosse, novamente o amor falava mais alto.
Ao chegarmos à cidade de
Ibra, fomos até o necrotério, já que fazia muitas horas que meu pai havia sido morto,
ao chegar fomos informadas que tínhamos que ir até a delegacia, não nos
informou se o corpo estava lá ou não, só havia um olhar de dó do atendente para
nós.
Chegamos à delegacia e o
delegado com total falta de consideração e respeito, já foi gritando:
- "São vocês que são as
viúvas de um dos insurgente nojento que esta pendurado lá fora?"
Minha mãe indignada
respondeu:
- "Eu sou a viúva e ela
a filha, ele não era nojento e muito menos insurgente, o Senhor tenha respeito
pela memória de um pai dedicado e um marido exemplar." - levantou um pouco a voz.
Ele sem dizer nada levantou
e deu um soco em minha mãe que estava sentada na cadeira, caindo no chão,
levantei e fui socorrê-la e ele gritou:
- "Mulher vadia de
insurgente nojento aqui não tem vez, ele vai apodrecer no poste e ser comido
pelos urubus, agora saiam daqui suas pilantras, antes que eu mesmo penduro
vocês no poste do lado dele, saiam agora." – gritou ele com grande raiva.
Levantei a minha mãe, e
saiamos da delegacia, meu ódio era enorme, se tivesse uma arma mataria aquele
delegado sem misericórdia e o pendurava em um poste para ser comido também por
urubus.
Misericórdia que ele não deu
para nós, ele pediu anos mais tarde quando passamos com o FORZA pela cidade.

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