sexta-feira, 18 de maio de 2012

CUIDAR DESCUIDADO - PARTE II

Cheguei na creche e fiquei mais desesperado, porque parecia que estava toda fechada. Meus Deus que teria acontecido com a minha irmãzinha, será eles tinham deixado em algum lugar. Apertei a companhia e bati no portão, até que apareceu o vigia da creche:
- Boa Noite. – disse ele.
- Boa Noite. Será que o Senhor sabe alguma de uma menininha que ficou aqui na Creche?
- Você é parente dela? O que aconteceu? Onde vocês estavam? Ela ficou aqui até as 21:30h e estava chorando muito.
- Mas moço o que aconteceu com ela, por favor?
- Ela foi levada pelo Conselho Tutelar.
- Mas, para onde eles levaram?
- Eu não sei não.
Completamente desesperado fui até o Conselho Tutelar, e não havia ninguém. Voltei para casa e eles estavam dormindo, dormindo não!! Desmaiados!!! Tive que esperar o dia amanhecer, não conseguia pregar o olho preocupado com minha irmã. Finalmente amanheceu o dia e eles acordaram:
- Pai, como o senhor pode esquecer a Nina na Escola? – gritei indignado.
- A culpa é sua, eu não tenho que me preocupar com pegar ninguém na Creche. E outra coisa, eu esqueci, todo mundo esquece uma alguma coisa. – Ele falava com muita raiva apontando para mim.
- Minha irmã não é uma coisa, ela uma pessoa e sua filha. Um pai responsável que ama a sua filha não a esquece.
Quando falei isso, levei tapa no rosto e um empurrão, e ele pulo em cima de mim dizendo:
- Seu pirralho, cala a tua boca ou eu vou arrebentar os seus dentes, você não sabe nada da vida e fica ai tentando jogar a culpa em mim por você não ter cuidado direito da sua irmã.
Minha mãe olhou para ele e não conseguia dizer uma palavra, mas no seu olhar dava para ver a indignação e ódio pelo meu pai, só que não tinha a coragem de dizer nada.
Fiquei completamente desorientado, muito chateado e triste com aquela situação. O pior de tudo que ele simplesmente estava fazendo, tomando café bem calmamente sem se preocupar com ela.
Minha mãe me pediu para leva-la no Conselho Tutelar, saímos correndo de casa e fomos ao conselho tutelar para saber onde eles teriam levado a minha irmã, quando chegamos lá e conversamos com a conselheira que nos disse que para devolver a guarda da Nina era um pouco burocrático e que o juiz que tinha que autorizar. Ela nos indicou o lugar e disse que poderíamos vê-la, mas que por enquanto ela teria de ficar lá.
Fiquei completamente transtornado, minha irmã em um lugar que ela não conhece, sendo cuidada por pessoas completamente desconhecidas. Como eu poderia ajuda-la? Chegamos ao abrigo em quem encontramos brincando no play groud? A minha irmãzinha, ela veio até nós e deu um abraço muito forte e disse:
- Quando vou embora?
- Já estamos vendo para você sair daqui, minha princesa. – disse.
Ficamos um pouco com ela e corremos até o conselho, que nos marcou uma audiência dali a três dias. Durante esses três dias fiquei visitando a minha irmãzinha, e a minha mãe ficou limpa não tomando drogas e não colocando uma gota de álcool na boca, porque sabia que teria que falar com o juiz. Tudo isso mostrou que minha mãe realmente não é uma má pessoa e era minha esperança para ela pudesse parar com as drogas.
Chegou o dia e fomos à audiência e infelizmente não pude entrar depois de umas três horas elas saíram as duas, a Nina contente e saltitante, me deu um enorme abraço e um grande beijo e me disse que me amava.

terça-feira, 15 de maio de 2012

CUIDAR DESCUIDADO – Parte I

Era muita correria saia do lava - rápido e ia para creche para pegar a minha irmãzinha, deixava ela em casa e me vestia rápido e ia para Escola. O cuidar de minha irmã era uma obrigação, para que eu pudesse realmente ver ela bem, e também todos os meus irmãos. Infelizmente minha mãe que era uma pessoa muito cuidadosa, por causa da influencia de meu pai e das drogas acabou se perdendo e tornando uma pessoa totalmente descuidado com os filhos. Mas, tenho a certeza que ela vai se recuperar e se afastar do vicio maldito das drogas e cuidar como ela cuidava de todos nós
E assim essa responsabilidade de cuidar dos meus irmãos e especialmente de minha irmã que estava na creche era minha, só que alguns dias meu pai pegava ela, eu podia ir para escola com mais calma passando em casa e me trocando. Mas, um dia fiquei muito bravo com o meu pai, no dia que ele disse que pegaria a minha irmã. Estava em casa me trocando para ir para escola, quando ele chegou na nóia, sem a minha irmã. Perguntei:
-         Onde esta a Nina?
-         Puta merda esqueci a menina. - Respondeu sem se importar muito.
-         Vai para a Creche pega ela, eles já devem estar muitos nervosos, já são 17:40h e lá fecha as 17:00. – Ordenei completamente indignado.
-         Vai se ferrar, seu ruela, quer mandar em mim, não vou porcaria nenhuma, se você quiser que vá você. – Gritou cheio de razão.
Sai correndo de casa para ir para creche, já fazia quase uma hora que o portão havia fechado:
-         Onde vocês estavam, já são 18:00, isso não pode acontecer mais, já estávamos ligando para o conselho tutelar, olha o estado de sua irmã, esta chorando. – me deu uma bronca a funcionária.
-         Meu pai esqueceu, nunca mais vai acontecer de novo. – prometi todo sem jeito.
-         Eu pensei que vocês não vinham mais, fiquei com medo de esquecessem de mim. – disse Nina toda chorosa.
-         Você é a minha princesinha e nunca vou me esquecer de você. – afirmei e lhe dei um beijo.
 Depois desse dia não deixei ele pegar mais ela preferia pega-la do que acontecer o pior. Mas, infelizmente um dia, em que ia fazer uma prova de Português, e eu estava muito ansioso, porque era sobre um livro que nós tínhamos lido, só para ter uma idéia eu li o livro umas cinco vezes, sabia dele de cor e salteado. E nesse dia o meu pai ficou de pegar a minha irmãzinha, estava receoso, mas tive que confiar.
Cheguei em casa tomei banho e me troquei, eu estava tão ansioso que ficava pensando nos pontos do livro, queria tirar a melhor nota. Nem percebi que o meu pai e minha irmãzinha não tinham chegado. E fui para escola.
Fiz a prova, fui uns dos primeiros a terminar, e sabia que tinha ido muito bem. Até fui dispensado mais cedo, cheguei em casa todo animado. Quando cheguei em casa estava minha mãe e meu pai deitados na nóia, e nem percebi que minha irmã não estava, tirei a minha roupa da escola e fui dormir. Quando olhei meus irmãos notei que faltava um, e exatamente era minha irmãzinha:
-         Pai acorda, acorda, cadê a Nina, o Senhor pegou ela? – mas era em vão porque estava muito ruim e não me respondia.
-         Mãe cadê a Nina? – perguntei que me respondeu meio grogue.
-         Ta dormindo e me deixa em paz, moleque.
-         Beto cada a sua irmã você viu ela? – perguntei para meu irmão do meio.
-         O pai não trouxe ela, acho que ela esta na Creche.
Sai desesperado para creche, isso já era 22:00h.  O que tinha acontecido com a minha irmã? Será estava ainda na Creche, já que fechava as cinco da tarde? Ou será que tinham chamado o Conselho Tutelar? O que aconteceria com ela irmãzinha?

sexta-feira, 4 de maio de 2012

VIVER OU SOBREVIVER, O QUE TRAZ FELICIDADE?

Fico me imaginando morando numa bela casa, com uma sala enorme, cozinha toda equipada, geladeira cheia, um quarto só para mim. Infelizmente é só um sonho, queria tanto poder dar tudo para os meus pais e irmãos, só que para ter algo na vida tem que estudar. Mas, estudar como? Se tenho que trabalhar!!! E trabalhar muito!!!! Ás vezes não temos nem o que comer em casa, e ainda mais agora que meu pai esta preso, fica difícil para minha mãe só catando reciclado conseguir dar de comer para todos nós. E eu o mais velho dos irmãos tenho que trabalhar, preferia estudar conseguir cursar uma boa faculdade, é mas não tem jeito tenho ir todo dia para aquele trabalho, que pior que seja ou pior que pague, tenho que chamar de bendito.
Fico vendo carros maravilhosos e fico imaginando se algum dia eu poderei ter um igual, mas sabe o que eu não entendo? Como alguns podem ter muito e outros quase nada ou nada. Ás vezes, acho que eu não deveria ter nascido, porque é tanto sofrimento que me pergunto se não era melhor eu estar morto.
No dia do pagamento estava voltando para casa e passei enfrente a uma padaria que estava assando um frango, que estava com cheiro maravilhoso e não resisti, comprei um. Quando cheguei em casa, meus irmãos viram o frango fizeram a festa, comiam com tanta vontade, que até tive que tirar uma pedaço para minha mãe. Pela primeira vez eu vi eles dormirem satisfeito, dava para ver o sorriso de cada um deles de satisfação, apesar de não conseguir comer me senti a pessoa mais feliz do mundo, só de ver meus irmãos satisfeitos.
Quando minha mãe chegou a noite:
- Mãe, passei na padaria e comprei um frango para nós comermos, olha deixei um pedaço para senhora.
Levei baita tapa no rosto e as berros ela me disse:
- É você que ganha o dinheiro, mas aqui em casa quem decide como gastar sou eu, seu inútil, me da aqui o dinheiro que sobrou que tenho um monte de coisa para comprar com ele. E da próxima vez vou te bater para nunca mais pegar o dinheiro e gastar com besteiras e não esquece quem manda aqui.
Fui para meu canto e chorei muito, e pedia a Deus que me ajudasse a superar todas essas dificuldades, depois da oração tentei me concentrar no que de bom eu fiz para meus irmãos. Levantei-me e fiquei olhando rosto de satisfação deles e isso me deu forças para sorrir e orei de novo a Deus e agradeci por ele me ter dado os meus irmãos.